terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval e Iemanjá! A realidade na embriaguez da lua.

Eu amo o carnaval. Começar um texto com uma afirmação tão forte - seria precipitado e digno de exclusão - caso estivéssemos no meio acadêmico. Por sorte... Não é o caso; então permitam-me começar com uma afirmação - uma generalização que irá transcender a lógica e a condição sapiêntica.

Eu queria que nós soubéssemos aproveitar o carnaval - queria que todos os homens soubessem mergulhar nesse mar de lasciva e violência que é o manto de Dionísio. Mas eu - comunista que sou - sei que é impossível.
Somos ego demais para o vício - somos covardes demais para a liberdade;

Por começo: carnaval é liberdade - é o começo da derrisão. Construindo através do caos - é a época perfeita para a destruição - onde reis são destronados e tolos sobem à tirania. É claro que essas são apenas as palavras de um viciado - um escravo do 7 de copas (Debauch) - são as palavras de um bufão - torto pelo álcool e pelas paixões.
Mas buscando na ciência e buscando na razão - o mundo é um complexo social. Como carnaval - carnaval que acaba no mais puro e sublime: samba.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

incongruências e lacunas do subconsciente

receio de perder o controle - quando perder o controle é a única forma de manifestar a vontade. me considero mais sábio quando estou sem controle - as condutas sociais costumam atrapalhar a sabedoria.
somos criados para não exercer tal virtude - ser sábio implica em ser arrogante - quando uma virtude - em realidade - nada tem a ver com a outra. sim - pois é só abrir um pouco os olhos para perceber que a arrogância é virtude. existe algo que não é?

mutias coisas são virtudes - mas pelo peso social - somos forçados a enxerga-las como vícios. em meio a um paradoxo linguístico - somos confrontados. repetir uma palavra várias vezes é entender o peso social que ela possui. 
cada palavra é infinita - cada palavra possui história própria e cada palavra é uma herança natural da condição humana. palavra é signo - signo completo e desdobrado em significados - assim como em significantes. Portanto:

egg é ovo e ave é vogel - mas o significado é o mesmo - constante e parcialmente mutável.
e assim o descontrole da linguagem vai atingindo proporções catastróficas.
falar "cabeça" pode ser o princípio de uma guerra.
domar a língua é sentar gloriosamente no trono de Hanuman. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

M A R T E M O R T E

MARTIVS

M A R T I V S

A R I S

ARIS

ARES

Ares

ares

sera

s e r a

e r a s

...

I C H B I N D E R K R I E G
D E R H E R R D E R F I N S T E R N I S

.
-MARTIVS-

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Má Educação e Preciosa



   Primeiro de tudo – é fundamental que eu fale do filme Má Educação. Almodóvar e – portanto – aclamado pelos críticos e mais um dos filmes que me proporcionaram uma sensação (certa inquietação que eu sinto no plexo solar) depois que assisti. Não sei ao certo o que me incomodou – talvez a extrema naturalidade com que a sexualidade é tratada – natural não no sentido de normal – é outra coisa – um natural inexplicável (no momento). Pois bem – somos jogados em um caos de tempo-espaço onde não sabemos ao certo onde está a ficção e a realidade. Explico: O que era Ignácio não é mais – o que era Enrique – idem – memórias da infância fazem parte de um filme e tudo girando em torno de um ciúmes/inveja/medo/anseio/necessidade de um irmão. Tentarei explicar melhor: estamos em um cenário (um corpus ou uma construção) em que não existe limites para a verdade – tudo o que vemos ao longo do filme é um emaranhado de confusões – um choque de realidades: física (no final do filme quando temos a peripécia [o desatamento do nó na trama]) - na ficção (as imagens evocadas para representar a história de Ignácio) e no presente-físico (onde a trama se desenvolve repleta de quebras e confusão). Pra mim o filme acabou se distanciando completamente do escândalo dos abusos sexuais de um padre – do submundo gay e da comicidade das travestis – para mim ele se concentrou principalmente em uma manifestação randômica da vida de alguém – também randômico – que tinha a necessidade urgente de fortalecer algum tipo de identidade – algum tipo de discurso puramente sexual e – portanto – sublime. É como se existisse um painel imenso com toda uma vida escrita e um único recorte dessa vida tenha sido deslocado – bagunçado e daí tirado uma trama – tal qual nas tragédias gregas. Toda essa verborragia – enfim – é para explicar que não tenho o que pensar do filme – é genial – é natural e é simples – ainda que seja complexo em seu arranjo. Sem mais.



Agora sobre o filme Preciosa tenho apenas uma palavra para escrever: AHAZOU. Ai como eu amei aquele final – adoro ver gente ferrada dar a volta por cima – isso agrada o meu ego e a minha necessidade de justiça e – considerando que eu tive vontade de arrebentar a mãe da garota durante todo o filme – fiquei feliz com o sorriso vitorioso da protagonista na cena final.  Ah sim e eu vi alguém reclamando da Mariah Carey (WTF?) ter chorado de verdade em uma das cenas mais emocionantes do filme – meu amor se fosse eu – eu já sairia batendo em todo mundo mesmo.

Concluindo – não tenho conclusão nenhuma – são filmes agradáveis que deram comichões no plexo solar. Meu cu.



Ãpideite: Comecei a ler O corcunda de Notre-Dame do Victor Hugo (rugô - para os frescurentos) - é engraçado que sempre que começo a ler me sinto numa Paris chuvosa - suja e antiga. Nunca estive em Paris - muito menos numa Paris chuvosa - suja e antiga.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Amy Casa de Vinho e os cavaleiros de Javé

Post dedicado ao Diego Jiquilin que fez eu olhar para o assunto.





O que me motivou a fazer esse post - foi esse lindo tweet - feito por alguém aparentemente moralista e - se não o é - a partir de agora é - pois assim se mostrou.
Tenho observado desde a morte da Amy Winehouse três tipos de reações: a primeira delas é a reação dos fãs que ficam tristes por perderem o ídolo - que cantava bem e tinha uma música muito singular - algo muito difícil no cenário pop (Pop por que Amy era pop - ainda que o estilo musical fosse diverso). A segunda reação foi a dos fãs que se lamentavam de como ela desperdiçou a própria vida - se entregando aos vícios - aos prazeres e que isso era pra servir de exemplo aos jovens - por fim - a terceira reação foi das pessoas que não eram fãs e simplesmente fizeram o mesmo discurso moralista do segundo caso - como esse querido @pazfm89 - que eu encaixo no terceiro exemplo.
Pois bem - vemos que dos três casos - dois trazem uma carga de moralidade de códigos de conduta - conceitos que os mais ousados conseguem associar facilmente com patriarcado e a hierarquias - mas o que me preocupou realmente não foi a moralidade em si - essa existe em todos os extremos e em todas os meios - o que me preocupou de verdade foi a forma como os moralistas desceram de suas torres de marfim e começaram a apontar os erros - um julgamento horrível e hipócrita.

Primeiro é necessário esclarecer alguns vícios da sociedade - o primeiro vício é o de considerar a morte como algo ruim - algo que não é natural. A maior instituição moralizante é a igreja e lembrem-se que no cerne dela está o dogma de que o salário do pecado é a morte e que Adão foi criado para ter vida eterna - caso ele não tivesse pecado. É claro que o medo da morte é algo mais profundo e está ligado ao instinto de sobrevivência - mas podemos dizer que é uma feridinha que a igreja inflamou. Outro vício - que também está ligado a essa instituição de moralidade - é o julgamento - é da cultura cristã o que eles chamam de "pregar o evangelho para acelerar a volta de Cristo" - ou seja - quanto mais rápido todos os povos souberem da palavra de Deus - mais rápido Jesus volta - isso somado a interesses políticos é motivo suficiente para que o cristão saia do aconchego de suas experiências religiosas e assim se preocupe em doutrinar os outros - gerando espaço para o julgamento. (Que fique claro que nem todo cristão é assim - conheço muitos que separam bem as coisas.)

Voltando ao caso da cantora falecida com voz inesquecível - vemos que o moralismo dos discursos se baseou nessas duas coisas simples: A aversão à morte e ao julgamento.
Ninguém se preocupou - em momento algum - com a aceitação que Amy tinha com seu estilo de vida - nenhum desses falsos moralistas - se preocupou com o fato de que cada um leva a vida a seu modo - pouca gente se atentou ao fato de que ser livre é ser livre até pra escolher ser escravo - os moralistas nem se importaram com a arte que ela fazia ou em como em tão pouco tempo ela se tornou um ídolo - em pouco tempo de vida - ela viveu como pouquíssimos moralistas vão viver.

Uma vida de prazeres e lágrimas em 27 anos ou uma vida se preocupando com os outros em 60 anos?

domingo, 24 de julho de 2011

A História sem fim – os três Bs e os três Ks

Antes de tudo convém explicar os meus problemas de hardware – sim – os mais atentos vão perceber que eu substituo as vírgulas pelo hífen e não – isso não é uma questão de estilo – é por que a minha vírgula não funciona mais e como isso aqui não é um texto acadêmico – jamais vou ficar copiando e colando vírgula por vírgula – então vamos nos contentar com o querido e velho hífen.

Histórias infantis sempre me chamaram a atenção – não do ponto de vista de amante das letras e estudante do assunto – mas de um ponto de vista mais subjetivo e quase nada científico. Creio que o que mais me prende nas histórias infantis (e infanto-juvenis) é o fato como elas perpetuam conceitos e como esses conceitos vão passando de geração a geração – mudando na aparência – mas mantendo a essência. É engraçado – contudo – pois esses conceitos fogem ao tradicionalismo ao mesmo tempo em que fazem parte da tradição – eles conseguem provocar mudanças enquanto reforçam coisas antigas que com o passar do tempo se perderam. Toda essa transmissão de conhecimentos é feita mediante o uso de símbolos que são aparentemente inocentes – na linguagem das crianças que vão atingir os adultos – talvez e infelizmente não na mesma intensidade.

A primeira coisa que me chamou atenção na história sem fim foi a edição do livro – eu tinha nove ou dez anos na época e para uma criança que já era apaixonado por símbolos e misticismo – a estética do livro pareceu chamou muito minha atenção. Para os que não conhecem: esse livro costuma ter a capa bronze com duas serpentes estampadas – uma negra e uma branca – e uma morde a cauda da outra – os capítulos são divididos pelas letras do alfabeto – ou seja – tem o capítulo A – o capítulo B e assim por diante. Há outra divisão mais interessante ainda – parte do livro é escrita em verde e outra parte em vermelho e não raro essas partes se misturam – a cor verde representa o que acontece na história (em Fantasia) a cor vermelha representa o que acontece no mundo real com o personagem principal Bastian. O livro passou a ter um significado especial então – pois eu deixei os contos e passei a me interessar – também - pelos romances fantásticos. Pois bem – chega de enrolar e vamos ao ponto que dá titulo a esse texto – primeiro – é interessante se atentar neste trecho da História sem fim:

- Meu nome é Bastian – disse o rapaz – Bastian Baltasar Bux.

- Mas que nome curioso! Resmungou o homem. Com esses três bês. Mas você não tem culpa de ter esse nome; não foi você que o escolheu. Eu me chamo Karl Konrad Koreander.

- Três ks – Disse o rapaz com ar sério.

Mas esse foi só o começo do que realmente me chamou atenção – como eu disse anteriormente – os capítulos do livro não são divididos por números e sim por letras – então eu fui verificar os capítulos B e K e encontrei uma linda coincidência (ou não). O Capítulo B é intitulado: “Atreiú é chamado” e o capítulo K se chama: “A Imperatriz Criança” – isso descoberto – fiquei pensando em como esses títulos fazem sentido no contexto da trama. A associação de Bastian com Atreiú é clara – Atreiú é magro – corajoso – guerreiro – sábio – famoso – forte e bonito – ou seja – tudo o que Bastian Baltasar Bux gostaria de ser – mas não é (ou acha que não é). Podemos observar essa relação Atreiú (ideal) versus Bastian (estágio inferior) durante toda a trama – Atreiú aconselha Bastian durante os períodos difíceis – ele molda a personalidade do rapaz durante toda a estadia em Fantasia – é através dele que Xayíde é desmascarada – a coragem para desafiar o vazio que se instaura em Fantasia vem por intermédio dele e por fim ele guia Bastian até a fonte aonde o protagonista vai encontrar sua verdadeira vontade. Ora – queridos – temos ai a sombra de um Sagrado Anjo Guardião? Se nos arriscarmos mais um pouco – podemos ver perfeitamente em Atreiú os contornos da sephira de Tiphareth. Saindo do ponto de vista do ocultismo – nós chegamos àquela situação onde Atreiú - ao olhar no espelho - não vê ele mesmo e sim Bastian - a sua verdadeira face e vice-versa.

Então Bastian chega a Fantasia e ganha da Imperatriz Menina (agora chamada Filha da Lua [e um dia podemos falar desse novo nome e sua relação com os nossos símbolos no ocultismo]) – o Aurin – que tem o poder de realizar todos os desejos dele. Então Bastian passa a ser magro – bonito e com o tempo e através do Aurin vai agregando em si outros atributos bons e ruins. No Aurin há apenas uma inscrição: “Faça o que quiser” – pois é tudo da lei – não é?

Pois bem – chegamos ao K – Sr. Koreander ou se você preferir: a outra face da Imperatriz Criança. Ela deu para o protagonista o Aurin – que realiza todos os desejos – ele deu para o protagonista o livro – que também realiza todos os desejos e que traz na capa o próprio Aurin. A Imperatriz e o Sr. Koreander – nesse sentido representam a iniciação de Bastian – os fornecedores dos instrumentos pelos quais ele vai conseguir chegar até a verdadeira vontade – os instrumentos com os quais ele vai construir a estrada dos desejos – que como sabemos é o caminho para o centro da espiral que é Fantasia e no centro da espiral está a Torre de Marfim – onde tudo começa e onde tudo termina. Nesse ponto – não é mais possível separar o ocultismo do contexto da trama – pois eles se misturam – o ocultismo deixa de ter caráter apenas simbólico e passa a ser prático – quebra-se a redoma que os arrogantes lançam sobre as antigas tradições e as antigas tradições passam a interagir com o meio real. Nesse ponto são rompidas as hierarquias também – já que a iniciação passou e agora as coisas são apenas entre Bastian e Atreiú – que - como vimos – são a mesma pessoa.

domingo, 22 de maio de 2011

Comecçou o mergulho.