terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Carnaval e Iemanjá! A realidade na embriaguez da lua.
Eu queria que nós soubéssemos aproveitar o carnaval - queria que todos os homens soubessem mergulhar nesse mar de lasciva e violência que é o manto de Dionísio. Mas eu - comunista que sou - sei que é impossível.
Somos ego demais para o vício - somos covardes demais para a liberdade;
Por começo: carnaval é liberdade - é o começo da derrisão. Construindo através do caos - é a época perfeita para a destruição - onde reis são destronados e tolos sobem à tirania. É claro que essas são apenas as palavras de um viciado - um escravo do 7 de copas (Debauch) - são as palavras de um bufão - torto pelo álcool e pelas paixões.
Mas buscando na ciência e buscando na razão - o mundo é um complexo social. Como carnaval - carnaval que acaba no mais puro e sublime: samba.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
incongruências e lacunas do subconsciente
falar "cabeça" pode ser o princípio de uma guerra.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
M A R T E M O R T E
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Má Educação e Preciosa
Ãpideite: Comecei a ler O corcunda de Notre-Dame do Victor Hugo (rugô - para os frescurentos) - é engraçado que sempre que começo a ler me sinto numa Paris chuvosa - suja e antiga. Nunca estive em Paris - muito menos numa Paris chuvosa - suja e antiga.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Amy Casa de Vinho e os cavaleiros de Javé

domingo, 24 de julho de 2011
A História sem fim – os três Bs e os três Ks
Antes de tudo convém explicar os meus problemas de hardware – sim – os mais atentos vão perceber que eu substituo as vírgulas pelo hífen e não – isso não é uma questão de estilo – é por que a minha vírgula não funciona mais e como isso aqui não é um texto acadêmico – jamais vou ficar copiando e colando vírgula por vírgula – então vamos nos contentar com o querido e velho hífen.
Histórias infantis sempre me chamaram a atenção – não do ponto de vista de amante das letras e estudante do assunto – mas de um ponto de vista mais subjetivo e quase nada científico. Creio que o que mais me prende nas histórias infantis (e infanto-juvenis) é o fato como elas perpetuam conceitos e como esses conceitos vão passando de geração a geração – mudando na aparência – mas mantendo a essência. É engraçado – contudo – pois esses conceitos fogem ao tradicionalismo ao mesmo tempo em que fazem parte da tradição – eles conseguem provocar mudanças enquanto reforçam coisas antigas que com o passar do tempo se perderam. Toda essa transmissão de conhecimentos é feita mediante o uso de símbolos que são aparentemente inocentes – na linguagem das crianças que vão atingir os adultos – talvez e infelizmente não na mesma intensidade.
A primeira coisa que me chamou atenção na história sem fim foi a edição do livro – eu tinha nove ou dez anos na época e para uma criança que já era apaixonado por símbolos e misticismo – a estética do livro pareceu chamou muito minha atenção. Para os que não conhecem: esse livro costuma ter a capa bronze com duas serpentes estampadas – uma negra e uma branca – e uma morde a cauda da outra – os capítulos são divididos pelas letras do alfabeto – ou seja – tem o capítulo A – o capítulo B e assim por diante. Há outra divisão mais interessante ainda – parte do livro é escrita em verde e outra parte em vermelho e não raro essas partes se misturam – a cor verde representa o que acontece na história (em Fantasia) a cor vermelha representa o que acontece no mundo real com o personagem principal Bastian. O livro passou a ter um significado especial então – pois eu deixei os contos e passei a me interessar – também - pelos romances fantásticos. Pois bem – chega de enrolar e vamos ao ponto que dá titulo a esse texto – primeiro – é interessante se atentar neste trecho da História sem fim:
- Meu nome é Bastian – disse o rapaz – Bastian Baltasar Bux.
- Mas que nome curioso! Resmungou o homem. Com esses três bês. Mas você não tem culpa de ter esse nome; não foi você que o escolheu. Eu me chamo Karl Konrad Koreander.
- Três ks – Disse o rapaz com ar sério.
Mas esse foi só o começo do que realmente me chamou atenção – como eu disse anteriormente – os capítulos do livro não são divididos por números e sim por letras – então eu fui verificar os capítulos B e K e encontrei uma linda coincidência (ou não). O Capítulo B é intitulado: “Atreiú é chamado” e o capítulo K se chama: “A Imperatriz Criança” – isso descoberto – fiquei pensando em como esses títulos fazem sentido no contexto da trama. A associação de Bastian com Atreiú é clara – Atreiú é magro – corajoso – guerreiro – sábio – famoso – forte e bonito – ou seja – tudo o que Bastian Baltasar Bux gostaria de ser – mas não é (ou acha que não é). Podemos observar essa relação Atreiú (ideal) versus Bastian (estágio inferior) durante toda a trama – Atreiú aconselha Bastian durante os períodos difíceis – ele molda a personalidade do rapaz durante toda a estadia em Fantasia – é através dele que Xayíde é desmascarada – a coragem para desafiar o vazio que se instaura em Fantasia vem por intermédio dele e por fim ele guia Bastian até a fonte aonde o protagonista vai encontrar sua verdadeira vontade. Ora – queridos – temos ai a sombra de um Sagrado Anjo Guardião? Se nos arriscarmos mais um pouco – podemos ver perfeitamente em Atreiú os contornos da sephira de Tiphareth. Saindo do ponto de vista do ocultismo – nós chegamos àquela situação onde Atreiú - ao olhar no espelho - não vê ele mesmo e sim Bastian - a sua verdadeira face e vice-versa.
Então Bastian chega a Fantasia e ganha da Imperatriz Menina (agora chamada Filha da Lua [e um dia podemos falar desse novo nome e sua relação com os nossos símbolos no ocultismo]) – o Aurin – que tem o poder de realizar todos os desejos dele. Então Bastian passa a ser magro – bonito e com o tempo e através do Aurin vai agregando em si outros atributos bons e ruins. No Aurin há apenas uma inscrição: “Faça o que quiser” – pois é tudo da lei – não é?
Pois bem – chegamos ao K – Sr. Koreander ou se você preferir: a outra face da Imperatriz Criança. Ela deu para o protagonista o Aurin – que realiza todos os desejos – ele deu para o protagonista o livro – que também realiza todos os desejos e que traz na capa o próprio Aurin. A Imperatriz e o Sr. Koreander – nesse sentido representam a iniciação de Bastian – os fornecedores dos instrumentos pelos quais ele vai conseguir chegar até a verdadeira vontade – os instrumentos com os quais ele vai construir a estrada dos desejos – que como sabemos é o caminho para o centro da espiral que é Fantasia e no centro da espiral está a Torre de Marfim – onde tudo começa e onde tudo termina. Nesse ponto – não é mais possível separar o ocultismo do contexto da trama – pois eles se misturam – o ocultismo deixa de ter caráter apenas simbólico e passa a ser prático – quebra-se a redoma que os arrogantes lançam sobre as antigas tradições e as antigas tradições passam a interagir com o meio real. Nesse ponto são rompidas as hierarquias também – já que a iniciação passou e agora as coisas são apenas entre Bastian e Atreiú – que - como vimos – são a mesma pessoa.

